Oct 20, 2020 • 1HR 1M

{o outro #2 - Meliny Bevacqua} "Eu gosto de escrever sobre uma experiência corporal ou uma visão do mundo."

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Revelando a interioridade de nosso eu mais profundo através de longas e íntimas narrativas contadas em primeira pessoa; por mim, Larissa Xavier, e por quem quer que queria se confessar. Porque somente a escrita pode libertar o que a vida faz aprisionar.
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Hey, psiu! Tá vendo esse botão “play” aí em cima? Ele é pra você que está sem tempo de ler - ou que está com preguiça mesmo :P – a confissão abaixo e conhecer nosse convidade. Apure seus ouvidos e ouça a essa conversa boa no podcast. Mas sem desculpas pra deixar esse conteúdo de lado, ok? :)


Olá você,

A segunda convidada a conversar sobre literatura, outros dramas e delícias do mundo das palavras e da dimensão que vivemos, é um oráculo vivo; um espírito capaz de usufruir e unir poeticamente o poder do oculto ao universo dos que precisam se fazer por escrito.

Também pudera! Ela, a escritora Meliny Bevacqua, mulher trans, teve seu espírito enviado à Terra para ler tarô, ensinar feitiçaria e conceber e pregar — com um martelo de cristal — palavras que acolhem e tocam a todos os seres, principalmente os que estão dispostos a evoluir com ela.

Leiam a confissão que Meliny escreveu, ouçam a mesma no podcast; degustem, sem moderação, o universo místico e poderoso dela. Obrigada Meliny por me dar a oportunidade de ser tocada e transformada por seu “transespírito”.

A L.C EM UM CLIQUE

Larissa Xavier // Literatura Confessional

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Com vocês, Meliny Bevacqua se confessando em:

eu nunca pensei em chegar aqui. vim arrastada. o que me faz perguntar, estou aqui? se sou passado, presente, futuro. estou, né? ou por conta disso, não estou em nenhum lugar? mente incessante. nome-talismã. terra incidente. onde estou aqui falando? agora já posso ir embora. procurar portas por onde sair e portais por onde adentrar. adentrar o que? dentro, fora, no meio. uma mente não consegue sentar para meditar. uma mente é o céu onde o corpo é a terra. eixo crânio-caudal. kundalini. arjuna louco de ácido no meio da batalha. a coluna é uma estrada que sobe até o chão. o céu é um chão onde nunca se pisa. a morte é uma resposta nunca elaborada. não entendo nada das aulas de anatomia e também não entendi nenhuma outra aula, mas entendi muitas outras coisas além-aula em aula. inventei o futuro no canto de um caderno abandonado. minha mente tem duas mãos e dois pés, mas perdeu seu corpo. já menti. o passado é uma cidade que eu nunca vou voltar. tentei escrever algo diferente e errei. quanto medo de uma gaveta, pavor de convites dos céus e de corredores cilíndricos estreitos e profundos. mas nada psicanalítico. mais nada. e o pior dos medos a morte. 2000 e pouco e um amigo criança me convidou para saltar num pêndulo. 40 metros de queda livre. ainda estou a cair. quero continuar errando. desespero blasé. drama cotidiário. nudez e chão. impossível saber do que se fala quando se escuta. já tive 13 nomes e morei em um ponto de ônibus. quanta besteira resulta de um tempo onde não pude viver. mania de romantizar a dor. dificuldade em falar nas relações que ficaram para trás. e crença que tem coisa que não se deve colocar a mão. criança espantada com histórias egípcias. dificuldade em encarar mais de uma página. sou mãe de um planeta, filhe que me ensina a estar viva, um presente. meu presente é um sonho. tenho uma filha que quase não tenho contato. e hoje está tudo bem. fui invadida. uma cobra mora na minha cabeça. tentei ser cética e nada me permite. tenho muita ansiedade com a caixa de entrada. muitos anos condensados num pedaço desdobrado de memória. sou mulher, deitada na cama antes de dormir sempre pensando em sonhar. sou amor em todo o corpo e tenho um grande amor na minha vida. divido cama. sou realmente romântica e sempre luto contra as doenças do romantismo. hoje sou muito que achei que nunca seria. sou inclusive quem eu já odiei. e sinto que não sei contar aquilo que queria. nem falar sobre os arrependimentos que transmutei. mas que mesmo assim tenho algum jeito interessante de tentar.

Pra conhecer o trabalho da Meliny, assim como comprar seu livro, acesse o Instagram da mesma.

Não se esqueça de clicar no play aqui ou ouvir a nossa conversa pelas plataformas de streaming. E de praxe, para ler trechos do bate papo, vá ao insta da Literatura Confessional.


Obrigada por nos ler/ouvir até aqui. Te vejo na próxima confissão. <3

Larissa Xavier // Literatura Confessional

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